domingo, 30 de março de 2014


Cotidiano

Quero extrair riquezas
riquezas do meu cotidiano
quero aproveitar cada dia
sendo como o sol
desvirginando o anoitecer
- Felipe Matheus (aluno)

Ode de Manuel Bandeira

Namorados O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: - Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara. A moça olhou de lado e esperou. - Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada? A moça se lembrava: - A gente fica olhando… A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: - Antônia, você parece uma lagarta listada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: - Antônia, você é engraçada, você parece louca. ( Manuel Bandeira ) * Arte de Amar Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus – ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não. ( Manuel Bandeira ) * Desencanto Eu faço versos como quem chora De desalento… de desencanto… Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente… Tristeza esparsa… remorso vão… Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. E nestes versos de angústia rouca, Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. - Eu faço versos como quem morre. ( Manuel Bandeira ) * Vou-me Embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha falsa e demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d’água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar - Lá sou amigo do rei - Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada ( Manuel Bandeira)

A música

A música para mim
é o alimento para alma
pois nela encontro o caminho pleno
do dom de Deus que me deu

esse dom que me possui
eu não sei como explicar
simplesmente flui de um coração alegre
em forma de canção
- Felipe Matheus (aluno)
Não exijas mais nada. não desejo também mais nada, só te olhar,enquanto A realidade é simples e isto apenas.

Quando eu tenho que ir?

Quando tenho que ir? Eu não quero, não
partir. Quero viver a vida... Viver o que não vivi pois, a muito tempo já percebi que morri. Quero banhar-me ao mar no verão. Sentir minhas pernas trêmulas no chão. De ganhar um beijo roubado... Pernoitar ouvindo o som na balada Curtir a revoada da madrugada. Ver felicitamente o raiar do dia Ouvir a melodia de um bom dia... Voltar para casa sem me lamentar Fazer com que aqui se torne um lar doce lar.